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Lula: a revolução do óbvio

Lula, companheiro, amigo, irmão e Presidente. No dia de sua e de nossa vitória, um anjo bom me sussurrou que devia escrever-lhe essa carta. E o faço unido à comoção de milhões de outros brasileiros. As coisas brotam do coração.

Você é o único dentre os presidentes que tem a cara do povo brasileiro. Você vem da grande tribulação. Em seu corpo carrega toda a tragédia e também toda a esperança do povo brasileiro. Essa esperança foi historicamente sempre derrotada mas nunca vencida. Agora por você e com você, ela triunfa e oxalá definitivamente.

Lula e o reencantamento do Brasil

O medo é inerente à vida porque "viver é perigoso" como nos adverte Guimarães Rosa. Por isso, viver comporta riscos que metem medo. Mas os riscos nunca são só riscos. São a chance do novo, a abertura de uma outra esperança. Se não arriscarmos nos condenamos ao atoleiro da mesmice e da mediocridade. Isso vale para as atuais eleições. Vale arriscar em Lula porque ele representa a chance de um outro Brasil e de uma forma de fazer política. Esta tem a sociedade e não o mercado, a democracia real e não o fundamentalismo neoliberal, os condenados da Terra e não as moedas, o centro do cuidado político.

Temos que arriscar

Por que a revolução brasileira, a mudança de rumo, até hoje não ocorreu? O Brasil teria tudo para dar certo: uma situação ecogeográfica fantástica, um povo altamente criativo, fruto da miscigenação de imigrantes vindos de 60 países diferentes, um ensaio civilizatório de extraordinária polivalência e a percepção coletiva de que temos, como país, um compromisso com o futuro. Mas por que não fizemos ainda a viragem que sanasse nossas lacerações seculares e nos permitisse irradiar como nação com projeto próprio em interação com a globalização, mas sem subordinação e agregação aos donos do poder mundial?

Manual do candidato

Trate de se apresentar muito bem preparado para os discursos. Numa campanha eleitoral, você deve se dedicar a obter o apoio dos amigos e o apreço do povo. Deve constituir amizades de todos os tipos: para ter uma boa imagem, homens com carreira e nomes ilustres (os quais, mesmo se não têm interesse em declarar seu voto, ainda assim conferem prestígio ao candidato); e para garantir a proteção da lei, magistrados.

Três coisas levam os homens a se sentirem cativados e dispostos a dar o apoio eleitoral: um favor, uma esperança ou a simpatia espontânea. Graças aos mais insignificantes favores, as pessoas são levadas a julgar que há motivo suficiente para declarar seu apoio.

"Mutirao" Nacional contra el Hambre

Los cincuenta años de la Conferencia Nacional de los Obispos de Brasil, CNBB, están siendo conmemorados con una nueva campaña contra la indigencia en que viven 44 millones de brasileños. El 24.4% de los que trabajan sobrevive con menos de un salario mínimo por mes, y el 51.9% no gana más de dos salarios mínimos. (Instituto Brasileño de Geografía y Estadística, IBGE, Censo 2000).

La asamblea episcopal lanzó en abril el documento "Exigencias evangélicas y éticas de superación de la miseria y del hambre". En él, los obispos renuevan "la opción evangélica preferencial por los pobres" y proponen realizar "un mutirao (trabajo colectivo) movilizando a las diócesis, comunidades, movimientos y pastorales" para la conquista del derecho al alimento y a la nutrición.

Crítica ao poder

Os candidatos a Presidente trocam farpas sobre suas respectivas competências. Homens públicos não costumam gostar de críticas. São raros os que indagam sobre o próprio desempenho, pedem críticas a seus correligionários e buscam assessores que lhes dêem sugestões.

Religião e eleição

A campanha eleitoral deste ano terá, sem dúvida, a religião como cabo-eleitoral. Para muitos fiéis, esta hipótese é de torcer o nariz. Consideram esta mistura de fé e política como inadequada e, inclusive, oportunista.

"Não há nada mais político do que dizer que a religião nada tem a ver com a política", disse o bispo sul-africano Desmond Tutu. Na América Latina, não se pode separar fé e política, assim como não seria possível fazê-lo na Palestina do século I. Na terra de Jesus, quem detinha o poder político, detinha também o poder religioso.

Fé e politica

Cerca de 4 mil pessoas estarão participando do 2º encontro nacional do Movimento Fé e Política, em Poços de Caldas (MG), de 15 a 17 de março. Temas como Projeto alternativo de poder, Ética na política e Mística na política serão tratados por Patrus Ananias, ex-prefeito de Belo Horizonte; Maria Victoria Benevides e Plínio de Arruda Sampaio, cientistas políticos; dom Demétrio Valentim, da CNBB, e Margarida Ribeiro, pastoral da Igreja metodista.

Lula; João Pedro Stédile; Chico Alencar, deputado estadual (RJ); o economista Marcos Arruda; o monge beneditino Marcelo Barros; Paulo Tadeu, prefeito de Poços de Caldas, e Maria do Carmo Silva, prefeita de Araçuaí (MG), darão testemunhos de como conciliam em suas vidas a fé e a política.

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